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Brasileiro cria série de concertos de jazz de sucesso nos EUA

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Crédito fotográfico: José de Holanda
Crédito fotográfico: José de Holanda
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Com “Underground
Jazz”, Felipe Brito tem reunido grandes nomes da música, jovens talentos e
conectado artistas brasileiros


Construir pontes por meio do jazz. Esse é o propósito do trombonista brasileiro Felipe
Brito, cofundador e diretor musical do “Underground Jazz”, uma série de
concertos de jazz que acontecem mensalmente na casa de shows Scout Hall, em
Cape Girardeau, no estado do Missouri, nos Estados Unidos.

Em parceria com Scout Hall e Gary Rust, cofundador, Felipe Brito convida os
melhores músicos de jazz de St. Louis, Memphis, Nashville, Chicago, Kansas
City, Nova York, Austin, Dallas, Miami, Porto Rico e Brasil para as
apresentações. O projeto se iniciou em fevereiro de 2024 com a participação do
trombonista da Jazz at Lincoln Center Orchestra Band e da Duke Ellington
Orchestra, Andre Hayward. Desde então, o Underground Jazz já teve 14 edições e
participações de músicos como Chip McNeill, saxofonista de Arturo Sandoval;
Joshua Pantoja, trompista de jazz de Porto Rico; Jay Webb, trompetista da
Broadway em Nova York; e Cory Wong, entre muitos outros.


A
criação desta série de concertos traz uma perspectiva renovada ao gênero jazz,
oferecendo uma experiência ao mesmo tempo inovadora e profundamente enraizada
em sua herança cultural. Tocamos jazz, funk, soul, R&B, música brasileira,
samba, bossa nova, maracatu, mambo e salsa. O objetivo é colocar a música
instrumental, de gêneros relacionados ao jazz, no foco – conta Felipe Brito.

O Underground Jazz é patrocinado pela Abstraction Spirits, uma destilaria de
Kentucky que eleva a arte em forma líquida. O jornal da região Southeast
Missourian, a rádio KRCU da NPR e a rádio Real Rock 99.3 também são apoiadoras
do projeto. A Southeast Missouri State University (SEMO) e o curso de Jazz e
Música Comercial, onde Felipe é diretor, também são grandes apoiadores e
patrocinadores do Underground Jazz.

Todos os concertos têm ingressos esgotados, com mais de 150 lugares vendidos. Pessoas
de Missouri, Kentucky, Illinois e de Nashville fazem presença nos shows. Muitos
viajam até 3 horas para assistir aos concertos. O objetivo do Underground Jazz
é expandir a série de concertos convidando artistas de outros lugares dos
Estados Unidos e do mundo.

– Nosso objetivo é garantir que cada participante saia dos concertos com maior
apreço pelo jazz. Queremos conectar os alunos da universidade, o público local
e as pessoas dos variados estados próximos ao Missouri para terem uma
experiência única com o jazz – explica Brito.

A atração do projeto em março é o aclamado guitarrista estadunidense Mark Tonelli.
Residente em importantes centros musicais como Nova York, Dallas e Kansas
City, Mark já se apresentou em países como Argentina, Brasil, Canadá, Holanda,
Ucrânia e em vinte e cinco estados dos EUA. Foi professor visitante no Brasil na
Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais, e viajou por todo o país,
apresentando-se em cidades como São Paulo, Recife, Belo Horizonte, Brasília,
Londrina e Goiânia. Por dez anos, foi o guitarrista do U.S. Army Jazz
Knights, por meio do qual tocou com um verdadeiro panteão de lendas do jazz,
como Benny Golson, Billy Cobham, Bobby Watson, Rufus Reid e Bob Mintzer, além
da Boston Pops e do Quinteto de Metais da Filarmônica de Nova York.


Impacto

Para o renomado trompetista Jay Webb, que já se apresentou no projeto, a série “Underground
Jazz” é mais do que um programa de concertos: é um polo cultural que fortalece
a identidade artística e a história do jazz na região.

– Felipe traz música de nível internacional à comunidade, ao mesmo tempo em que
inspira a criatividade e o orgulho locais. Como artista em destaque, realizando
um show com ingressos esgotados no local, pude vivenciar, em primeira mão, o
quão poderosa pode ser a conexão entre a música e a comunidade. Isso permite
que a música respire, evolua e conecte as pessoas de uma maneira que nos
recorda porque a performance ao vivo é tão importante. Para mim, isso demonstra
que a boa música pode florescer em qualquer lugar, desde que haja paixão, visão
e apoio da comunidade por trás dela – enaltece Webb.

Michael Chapa, professor de saxofone da Southeast Missouri State University (SEMO), destaca
a importância do “Underground Jazz” por proporcionar aos estudantes e ao
público local uma conexão mais forte com o jazz em um ambiente ao vivo.

– Há algo especial em se apresentar em um espaço que transmite uma sensação de
proximidade e conexão. Sou grato por fazer parte de algo que contribui para o
crescimento do talento e da energia do sudeste do Missouri – completa.

Já o aluno de trompete jazz da SEMO Gabriel Brown ressalta que o acesso dado pelo projeto
a artistas mundialmente reconhecidos em um espaço intimista é também uma extensão
dos ensinamentos em sala de aula.

– Como estudante da SEMO, a série continua a me oferecer a oportunidade de ouvir
músicos incríveis de perto, aprender com seu talento e sua arte, manter-me
conectado à vasta tradição do jazz e até mesmo apresentar-me ao lado deles. Ela
também promove um senso de comunidade na região, visto que pessoas de todas as
origens costumam comparecer para apreciar a música e desfrutar da companhia
umas das outras – revela.


Do interior de São Paulo aos palcos e universidades
nos EUA

Trombonista, educador, compositor, gestor cultural e doutor em Música pela Universidade do
Texas (EUA), Felipe Brito consolida sua trajetória como uma das vozes
mais influentes da música brasileira no exterior. Importante multiplicador ao
unir excelência musical e impacto social, ele celebra conquistas que vão da
ampliação do acesso à educação musical comunitária no Brasil aos mais
prestigiados palcos dos Estados Unidos.

Nascido em meio a projetos musicais comunitários em Itu, no interior de São Paulo,
Felipe teve sua formação alicerçada em ambientes onde a música unia pessoas de
diferentes origens sociais, religiosas e econômicas. Esse cenário moldou sua
visão humanitária e sua crença profunda no poder transformador da educação
musical. Aos 20 anos, inspirado pelo exemplo de seus professores, Felipe passou
a lecionar em instituições filantrópicas como o Projeto Guri e a ASSATEMEC,
ajudando crianças brasileiras em situação de vulnerabilidade. E a sua paixão
pelo ensino permanece como um dos pilares de sua carreira.

Após se destacar como aluno de música na UNICAMP, Felipe recebeu incentivo de
professores americanos para seguir carreira internacional. Em 2012, mudou-se
para os Estados Unidos, onde conquistou bolsa integral para o mestrado na
Jacobs School of Music – Indiana University. Tornou-se finalista em concursos
como o Latin American Music Recording Competition e o Brass Concerto
Competition.

Em 2017, completou o Artist Diploma no Cleveland Institute of Music. Atuou como
trombonista principal do Cleveland Opera Theater e músico
substituto de diversas orquestras profissionais de Ohio e Pensilvania.

Desde 2021, o Dr. Felipe Brito é Professor de Trombone e Diretor de Jazz e
Música Comercial na Southeast Missouri State University (SEMO), onde conduz um
amplo conjunto de atividades acadêmicas e artísticas. Isso inclui, por exemplo,
a liderança de duas big bands – com mais de 50 alunos – com cinco concertos
anuais, incluindo o Clark Terry Jazz Festival, a criação do SEMO
Gigging Project, da Jam Session Night, e do Underground Jazz at Scout Hall,
conectando estudantes à comunidade local, participação nos comitês de Bolsas,
Recrutamento, Diversidade e Conselho da Fundação e criação de uma Bolsa de
Estudos de US$ 10.000 para estudantes de Jazz e Música Comercial. Em 2025,
Felipe recebeu o SEMO Research and Creative Activity Award, destacando sua
contribuição artística e social para a universidade.

Anualmente, ele retorna ao Brasil para recrutar jovens talentos em escolas públicas,
universidades e projetos sociais. Em 2024, visitou instituições como FAETEC,
Escola de Música da Rocinha, UNIRIO, Orquestra de Heliópolis, Projeto GURI,
UNICAMP e Colégio Anglo de Itu. Como resultado direto dessa iniciativa, três
estudantes brasileiros — Mayara, Matheus e Gustavo — receberam bolsas integrais
e ingressaram na SEMO em 2025, ampliando o intercâmbio cultural e acadêmico
entre os dois países.

Na Broadway, Felipe alcançou projeção artística ao integrar, como trombonista
substituto, o espetáculo “Buena Vista Social Club”, vencedor de cinco Tony
Awards em 2025, incluindo Melhor Orquestração e um prêmio especial para a
banda. A sua carreira sinfônica também seguiu em expansão. Em 2025, atuou como
músico substituto — na cadeira de primeiro trombone — da prestigiosa New Jersey
Symphony, executando obras como Pássaro de Fogo (Stravinsky)
e Pinos de Roma (Respighi). O músico já se apresentou também
no Lincoln Center, em Nova York, e no Severance Hall em Cleveland, fortalecendo
sua presença no cenário artístico norte-americano.

Mais informações sobre Felipe Brito em https://www.felipebritomusic.com/

Mais informações sobre o projeto “Underground Jazz” em https://www.thescouthall.com/

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Escrito por
Carlos Pinho -

Carlos Pinho é jornalista com mais de uma década de atuação abordando diversos temas, de cultura a economia. É diretor do Sindicato Nacional dos Compositores Musicais e ocupa cargos em diversos projetos de impacto social pelo país, como o Instituto LAR e a Tropa da Solidariedade.

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