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Dalmoni Lydijusse apresenta Para Encontrar Minha Pele em São Paulo

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Lucas Ferreira
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Primeira mostra individual da artista mineira na Galeria Arte Aplicada reúne pinturas sobre identidade, memória afetiva e os múltiplos sentidos da pele


A artista visual mineira Dalmoni Lydijusse, nascida em Poços de Caldas (MG), apresenta em São Paulo (SP) sua primeira exposição individual na capital paulista. Intitulada “Para Encontrar Minha Pele”, a mostra ocupa a Galeria Arte Aplicada e segue aberta ao público até 05 de maio. A exposição também ganhou espaço na agenda da Revista DASartes, uma das principais publicações especializadas do país.

Com curadoria de Esther Cervini, a mostra reúne pinturas que partem da memória afetiva do jardim doméstico da artista para investigar identidade, pertencimento e os múltiplos tons da pele. “A obra desenha a paisagem emocional da artista, numa jornada que transfere às muitas nuances de cores da pele, inventadas, imaginadas, realísticas e sonhadas, a capacidade de nos transportar para os outros presentes em nós”, afirma a curadora.

Dalmoni conta que sua trajetória na arte foi atravessada por silenciamentos e adiamentos criativos. O impulso para esta nova fase surgiu após se ver em uma fotografia em preto e branco e perceber nuances de sua pele que, até então, não reconhecia plenamente em si. A partir dessa experiência, passou a revisitar questões ligadas à identidade e aos impactos dos padrões eurocêntricos ainda presentes na sociedade brasileira. “Um certo tipo de conflito que me silenciava e me mantinha postergando minha voz, em estado de iminência por assim dizer, esteve presente em mim por anos…”, comenta.

Desse processo nasceu a série Para Encontrar Minha Pele, iniciada em 2024. As obras exploram infinitas variações cromáticas inspiradas em pétalas de orquídeas, entre pinceladas densas e campos de cor que transitam entre figuração e abstração. Mais do que representar um tema, as pinturas transformam o ato criativo em gesto de reconexão consigo mesma e de afirmação estética.

“Desse processo, surge o desejo de produzir infinitas variações de cores de pele, entre pinceladas e massas de tinta numa pintura expressa a partir da observação de pétalas de orquídeas, numa escala ficcional. A série se desdobra em pinturas como atos de construção, de encontro com a cor de cores de pele, e de outras formas de desafiar e propor o espaço pictórico. A representação se expande e se abstrai, resultando formas e cores que aprofundam o assunto como um processo de articulação da linguagem visual, em que o ato criativo ganha potência sem se tornar ilustração do assunto”, acrescenta.

Trajetória
Para Dalmoni, estar na agenda da revista DASartes é um marco importante na carreira, por ser um dos principais veículos de notícias do universo da arte no país, a Revista DASartes traz um lugar de crítica, agenda e curadoria para os artistas, tornando-se uma das referências mais fortes no setor.

Era 1986, quando deixou Poços de Caldas (MG) para estudar em São Paulo desejando sonhar como imaginar esse caminho de se formar artista. Quarenta anos depois, Dalmoni celebra chegar à galeria e relembra o tempo de evitação da própria arte. Na abertura da exposição, cercada por pessoas que acompanharam sua trajetória desde então, a artista reconhece que o percurso até aqui foi também um processo de maturação. Para ela, mais do que atraso, houve um tempo necessário de germinação – de estudo, silêncio, dúvidas e elaboração interna – até que sua produção encontrasse a força e a urgência que agora chegam ao público na exposição Para Encontrar Minha Pele. O momento, segundo a artista, representa o florescimento de uma caminhada construída com entrega, conflitos, memória e persistência.

“Poder participar disso é mais do que uma honra. Estar nessa galeria é ocupar um lugar de luz, de possibilidades. Durante muitos anos, dando aulas, aprendi demais com meus alunos e via neles uma espontaneidade que também me alimentava, enquanto eu mesma adiava meus próprios processos. Em algum momento entendi que não dava mais para me atrasar e que precisava assumir esse estado de iminência criativa, esse desejo de fazer sem saber exatamente onde ele vai dar. Ser acolhida pela galeria me trouxe alegria, mas também a pergunta inevitável: e agora? Como seguir pesquisando, criando e me transformando sem me repetir? O que nasce do trabalho eu nunca sei antes, e talvez seja justamente isso que mais me move. Também sinto que nada disso aconteceu tarde demais – talvez eu tenha precisado de todo esse tempo para germinar e chegar até aqui”, completa.

Para Poços de Caldas, cidade natal da artista, a exposição marca um momento importante: o reconhecimento de uma trajetória autoral que agora alcança um dos principais circuitos de arte do país.

Sobre a galeria Arte Aplicada

A Arte Aplicada é uma importante galeria de São Paulo, fundada em 1971 por Sabina de Libman. Consagrados artistas do panorama artístico do Brasil foram apresentados em importantes exposições realizadas, destacam-se, Emanoel Araújo, em 1976; Guto Lacaz, em 1978; Antônio Gomide, em 1979; Prof. Bardi em única exposição realizada no Brasil em 1979, e a seguir, Bruno Giorgi, Palatnik, Bez Batti, Marcelo Grassmann. Volpi, Ianelli, Aldir e Weissman, em mostras realizadas pela Arte Aplicada e apresentadas no MASP, no Museu de Arte de Brasília e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

A partir dos anos 2.000 Felícia Leirner e Giselda Leirner, Angelo Milani, Edla Van Steen, Angelo Milani, Juares Matter, Marco Rey, Mario Tagnini, Nelson Screnci, Sonia Ebling, Dan Fialdini, Leon Ferrari dentre vários outros. A galeria conta com um vasto acervo que inclui desenhos, pinturas, relevos, gravuras, esculturas e fotografias.


Serviço

Exposição: Para Encontrar Minha Pele
Artista: Dalmoni Lydijusse
Local: Galeria Arte Aplicada
Visitação: até 05 de maio das 11h às 16h
Entrada gratuita

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