Cantora e pesquisadora participa da abertura do Junho Ambiental e do Ceará Junino com apresentações que unem música nordestina e valorização do protagonismo feminino no forró
A cantora, psicóloga e pesquisadora Daniella Campelo reforça sua presença na programação cultural de Fortaleza com uma agenda que vai além dos palcos e propõe reflexões sobre a presença feminina na música nordestina. Com apresentações confirmadas em dois importantes eventos promovidos pelo poder público, a artista leva ao público um trabalho que mistura repertório tradicional, memória afetiva do forró e discussões sobre gênero dentro da cultura popular.
No próximo dia 31 de maio, Daniella participa da abertura oficial do Junho Ambiental, evento realizado pelo Governo do Estado do Ceará no Parque do Cocó. Já em 4 de junho, a cantora retorna aos palcos no Ceará Junino, no Aterrinho da Praia de Iracema, integrando a programação promovida pela Secultfor. As apresentações terão como fio condutor não apenas os clássicos do forró, mas também um olhar voltado ao papel das mulheres na construção e permanência do gênero musical no Nordeste.
Nos dois encontros, Daniella divide o palco com nomes femininos de trajetória reconhecida no cenário forrozeiro. Na programação do Parque do Cocó, a artista recebe Lanne Santos, conhecida nacionalmente por sua passagem pela Banda Líbanos, além de Lucinha Owens, ex-integrante da banda Mel com Terra. Já no Ceará Junino, Lucinha retorna como convidada ao lado de Bete Nascimento, voz marcante do Mastruz com Leite, uma das bandas responsáveis pela popularização do forró eletrônico no país.
Com uma trajetória artística que ultrapassa duas décadas, Daniella Campelo construiu sua carreira passando por bandas como Aquarius e Styllus, acumulando experiência nos palcos enquanto consolidava uma pesquisa voltada à história das mulheres dentro do universo do forró. Em 2015, desse encontro entre prática musical e investigação acadêmica, nasceu o projeto “Forró Como Antigamente”, iniciativa idealizada para revisitar repertórios clássicos do gênero e, ao mesmo tempo, ampliar a discussão sobre a presença feminina no cenário musical nordestino.
A proposta surgiu no período em que a artista aprofundava estudos sobre gênero e representatividade no forró, percebendo como muitas contribuições femininas para a construção dessa tradição musical acabavam invisibilizadas ou relegadas a espaços secundários. Desde então, o projeto passou a unir apresentações musicais e momentos de reflexão, buscando destacar mulheres que ajudaram a consolidar o gênero ao longo das décadas.
Paralelamente à carreira artística, Daniella também desenvolveu uma pesquisa acadêmica sobre as relações de gênero no ambiente musical nordestino. Em sua formação em Psicologia, apresentou o trabalho “A Macheza no Forró e o Papel da Mulher no Cenário Musical”, estudo que investiga dinâmicas históricas de desigualdade e representatividade dentro do universo forrozeiro. O tema, atualmente, também é levado ao público em formato de aula-show e projeto cultural.
A reflexão proposta pela artista parte da compreensão de que, embora o forró seja uma das mais fortes manifestações culturais do Nordeste, ainda persistem estruturas marcadas por desigualdades de gênero e pouca visibilidade para trajetórias femininas. Ao trazer o debate para apresentações culturais, Daniella busca ampliar o diálogo sobre memória, reconhecimento e transformação social por meio da música.
“Esse tema é muito importante para mim. O ‘Forró Como Antigamente’ nasceu exatamente no início das minhas pesquisas sobre gênero no forró e sobre a música nordestina. Hoje, além dos shows, eu também quero levar essa discussão para os espaços culturais, programas e debates, porque falar sobre forró também é falar sobre protagonismo feminino, memória e transformação social”, afirma Daniella Campelo.
Além do trabalho nos palcos e da pesquisa acadêmica, a cantora também idealizou o projeto “Meninas do Nordeste”, iniciativa voltada ao fortalecimento da presença de mulheres na música nordestina e à valorização de artistas que historicamente ajudaram a moldar a identidade cultural do forró. A proposta reforça a atuação de Daniella como uma voz que transita entre arte, pesquisa e mobilização cultural, buscando ampliar espaços de reconhecimento feminino dentro da música popular nordestina.