Há shows que funcionam como um mapa afetivo: você entra por um ritmo, sai por outro e, no meio do caminho, entende que a música brasileira sempre esteve ali, no ponto exato onde tradição e invenção se encostam. O Sextante, que se apresenta hoje (quinta-feira, 11 de dezembro) na Casa da Cultura de Paraty, é desse tipo de encontro: raro, generoso e cheio de camadas.
Liderado pelo saxofonista Jérôme Charlemán, o grupo não aposta apenas na mistura: ele mergulha nela. O jazz não aparece como gênero rígido, mas como linguagem aberta; os ritmos caiçaras são mais que referência, são o pulso que conduz. Cada música parece construída com a escuta voltada para o território, esse litoral de tradições profundas, onde a percussão ecoa histórias, e a melodia carrega vento, mar e memória.
No palco, o Sextante apresenta um repertório totalmente autoral que atravessa jazz contemporâneo, rock fusion, samba caribenho, ciranda caiçara e influências latino-americanas com uma naturalidade que impressiona. Nada soa forçado. Nada soa encaixado. A música surge como gesto de respiração coletiva.
O que mais chama atenção, porém, não são apenas as camadas rítmicas: é o modo como elas se comunicam. O grupo faz da improvisação uma conversa – ora íntima, ora expansiva – que permite ao público mergulhar na estética da Costa Verde sem exigências prévias de “entendimento”. Quem chega cru se encanta. Quem chega iniciado se surpreende.
A entrada de Manu Cavalaro acrescenta brilho extra ao espetáculo. A cantora, de presença magnética, imprime força e doçura a interpretações como a versão brasileira de Couleur Café, criando um momento de suspensão no tempo, daqueles em que a plateia respira junto.
É possível dizer que o Sextante não apenas toca: ele convoca. Convoca as referências que formam os músicos, convoca o território que os abriga, convoca quem está na plateia a escutar com o corpo inteiro. E, quando tudo isso se junta, Paraty vira cenário e personagem de uma música que se quer viva, múltipla e profundamente brasileira.
A circulação do Sextante, com apresentações já realizadas no Teatro Glauce Rocha e no Centro da Música Carioca Artur da Távola, reafirma a proposta do grupo de democratizar o acesso à música instrumental, aproximando sons globais de referências locais e convidando o público a uma experiência sensível e plural. A turnê integra o ciclo de circulação do Grupo Sextante, produzida por Brisa de Souza, e foi contemplada pelo edital público Fluxos Fluminenses RJ, realizado com recursos do Governo Federal – Ministério da Cultura e do Governo do Estado do Rio de Janeiro – Secretaria de Cultura e Economia Criativa, por meio da Política Nacional de Fomento Aldir Blanc.
A música como experiência humana e coletiva
O Sextante começa a partir do encontro entre trajetórias artísticas maduras e sensíveis. Seus integrantes acumulam passagens por festivais nacionais e internacionais, turnês no exterior, projetos com grandes nomes da música brasileira e experiências em formação musical e projetos socioculturais. O sexteto entende a música como ponte entre sensibilidades, territórios e pessoas, uma visão que se traduz em arranjos que acolhem tanto o público especializado quanto ouvintes em busca de uma primeira experiência com música instrumental.
“Buscamos um som popular, capaz de atingir o máximo de pessoas em cada canção, em cada apresentação”, afirma Jérôme Charlemán.
Compromisso com acessibilidade e inclusão
A circulação do Sextante também reafirma o compromisso do projeto com acessibilidade atitudinal, comunicacional e arquitetônica. Conteúdos digitais contam com audiodescrição e legendas, garantindo que a experiência seja inclusiva para pessoas com deficiências ou necessidades específicas.
Serviço — Show Sextante em Paraty
📅 Hoje – 11/12/2025
📍 Casa da Cultura de Paraty
Rua Dona Geralda, 194 – Centro Histórico, Paraty (RJ)
🎟️ Entrada gratuita
Mais informações
Instagram: instagram.com/gruposextante