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Resenha: A afirmação sonora da Lupino em “Esquinas”

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Julio Victor
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Em “Esquinas”, a Lupino estreia com um trabalho que se coloca menos como introdução e mais como afirmação. O disco não busca provar nada: apenas registra o momento em que uma banda independente decide existir para além de sua própria bolha e se apresentar ao Brasil. É um álbum que revela um grupo atento às próprias referências, mas, sobretudo, às próprias escolhas.

Formada por músicos que vieram de trajetórias distintas, a Lupino parte do encontro entre influências diversas, indo do rock progressivo ao pop eletrônico, para construir uma linguagem própria. Nada no disco soa apressado. “Esquinas” é resultado de anos de composição, ensaios, improvisos, reformulações e do processo pouco glamouroso que envolve transformar ideias dispersas em um repertório coeso. A banda encara a criação como prática contínua, e isso se reflete no som: há camadas que convivem com naturalidade, arranjos que se movimentam sem esforço e uma noção clara de que cada integrante sabe o que está fazendo ali.

Os singles lançados nos últimos anos, “Melhor de Ti” e “Muros”, funcionam como registros da primeira fase da banda, uma preparação para o conjunto de faixas inéditas que completa o álbum. Com onze músicas, “Esquinas” mapeia a evolução do grupo e expõe um amadurecimento que não depende de grandes discursos: ele está no ritmo, nas estruturas, nas tensões e nas pausas.

A Lupino opera no que poderia ser chamado de “caos controlado”, mas o termo faz mais sentido como método do que como estética. O disco nasceu de improvisos, composições individuais remodeladas pelo coletivo e ideias que mudaram de forma até encontrarem lugar. Há rigor na liberdade que eles se concedem. A mistura de referências: Paramore, Chon, Dua Lipa, Terno Rei e Bonobo, não é exibida como coleção, mas como construção de um território onde a banda circula com segurança.

Produzido de forma independente por Leonardo Travassos, o álbum traz o tipo de entrega que geralmente não aparece nos créditos, mas que define um primeiro disco: horas de gravação, experimentos, ajustes finos, a insistência em encontrar um som que faça sentido para todos. É aí que “Esquinas” se fortalece. A Lupino não tenta soar maior do que é; tenta soar exata.

O resultado coloca a banda em um novo patamar dentro da cena catarinense. “Esquinas” não fecha nada — abre caminhos. Marca a saída da Lupino da fase de experimentação privada para a circulação pública, com planos de turnê. É o tipo de estreia que não promete revolução, mas entrega algo cada vez mais raro: música feita com intenção, método e pertencimento.

A Lupino existe, e o disco deixa isso claro.

 

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