Há uma maneira curiosa de medir a longevidade de um festival: observar quantas gerações de artistas conseguem caber em sua programação. Na comemoração dos 20 anos do Samba Brasil, realizada no sábado, 8 de agosto, em Fortaleza, a resposta apareceu no palco do Marina Park.
A edição comemorativa reuniu Fundo de Quintal, Thiaguinho, Sorriso Maroto, Mumuzinho, Ferrugem, Dilsinho, Yan e Davizão em uma noite marcada por sucessos conhecidos, novas vozes e participações que fizeram a programação ganhar contornos de encontro histórico.
A escolha dos artistas permitiu acompanhar diferentes capítulos da história recente do samba e do pagode. O Fundo de Quintal representou a tradição e a influência de uma das formações fundamentais para o gênero. Thiaguinho, Sorriso Maroto, Mumuzinho, Ferrugem e Dilsinho apareceram como representantes de diferentes momentos de popularização do pagode. Yan e Davizão trouxeram a perspectiva de uma nova geração.
Mas foi quando esses universos se cruzaram que a comemoração ganhou sua maior força.
Durante o show do Fundo de Quintal, integrantes do Sorriso Maroto se juntaram ao grupo. Mumuzinho, Thiaguinho e Yan também retornaram ao palco para participar do momento. A imagem reuniu artistas de diferentes períodos em torno de uma mesma referência musical.
A dinâmica se repetiu durante a noite.
Dilsinho recebeu Mumuzinho e Yan em seu show. Yan também contou posteriormente com a presença de Dilsinho. Já o Sorriso Maroto convidou Thiaguinho, Mumuzinho e Yan para sua apresentação, ampliando ainda mais a rede de participações.
O encontro entre gerações não ficou restrito aos momentos musicais. Ferrugem e Mumuzinho também protagonizaram uma demonstração de carinho nos bastidores, acrescentando à noite uma dimensão de amizade e reconhecimento entre os artistas.
A programação em palcos simultâneos contribuiu para que a noite tivesse ritmo próprio. Enquanto um artista encerrava sua apresentação, outro assumia o espaço, mantendo o público em contato permanente com diferentes estilos e fases do samba e do pagode.
A comemoração dos 20 anos acabou, assim, funcionando como uma espécie de retrato da própria trajetória do festival. Havia os nomes que ajudaram a estabelecer suas referências, artistas que atravessaram diferentes fases do gênero e uma nova geração pronta para continuar essa história.
No fim da noite, o aniversário do Samba Brasil ganhou uma tradução bastante concreta: vários artistas, diferentes trajetórias e uma mesma música servindo de ponto de encontro.