Mestres das Kebradas reúne quase duas décadas de viagens, pesquisa e encontros para questionar quem produz conhecimento e por que tantos mestres seguem invisíveis
Entre os lançamentos que chegam à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) este ano, um deles convida o leitor a deslocar o olhar para além dos autores consagrados, das universidades e dos discursos oficiais. Em Mestres das Kebradas – uma reportagem poética sobre aprender com as margens, a jornalista, pesquisadora e escritora Giselle Paulino propõe uma travessia pela Etiópia, Índia, China e periferias brasileiras para encontrar pessoas que transformam seus territórios e produzem conhecimento longe dos espaços tradicionalmente reconhecidos como centros de saber.
Publicado pela Editora Jandaíra, o livro será lançado durante a programação da Flip e marca a estreia literária da autora. A obra nasce de quase duas décadas de viagens, pesquisas e encontros e costura reportagem literária, memória e ensaio para discutir temas como fome, educação, pertencimento, agroecologia, colonialismo, crise climática e as relações humanas que atravessam esses processos.
A narrativa começa na Etiópia, onde Giselle é recebida por crianças que a chamam de faranji -— estrangeira. O encontro com um agricultor que nunca deixou sua comunidade transforma a forma como ela compreende conhecimento, desenvolvimento e aprendizagem. A partir daí, o livro acompanha uma jornada que cruza continentes, mas, sobretudo, atravessa certezas.
“Escrevi este livro quando percebi que o mundo precisava de boas histórias. Histórias que revelassem que existem outros caminhos, pessoas comuns transformando a realidade de seus territórios e nos ensinando a buscar respostas em lugares que raramente aprendemos a olhar”, afirma a autora. “Não se trata de uma história com final feliz, mas de histórias verdadeiras, aquelas que têm coragem de tocar em temas difíceis e atravessar conflitos.”
Embora dialogue com questões urgentes do presente, Mestres das Kebradas evita respostas simplificadas. Ao contrário, convida o leitor a rever conceitos como riqueza, desenvolvimento, felicidade, escassez e sucesso, ao mesmo tempo em que evidencia saberes produzidos por agricultores, educadores populares, mulheres das periferias, povos tradicionais e lideranças comunitárias.
“Os mestres das kebradas são aqueles que estão nas periferias da cidade transformando suas comunidades com criatividade e devoção, mas também aqueles que estão nas franjas do sistema, quebrando antigas verdades e paradigmas que já não servem mais”, resume Giselle.
Lançar o livro na Flip também tem um significado simbólico. Em um dos principais encontros literários do país, a autora leva para o centro do debate vozes que costumam permanecer nas margens. Ao reunir reportagem, literatura e reflexão, propõe ampliar o próprio entendimento sobre quem produz pensamento e quais histórias escolhemos ouvir.
Durante a programação da Flip, Giselle participará de encontros com leitores em diferentes espaços da cidade. Na sexta-feira, às 13h, estará na Casa Ofício, onde participa de um espaço de fala seguido do lançamento da obra. No sábado, a autora realiza sessões de autógrafos às 10h, na Casa Gueto, e às 15h, na Casa Escreva, Garota, ampliando o diálogo com leitores e com o circuito independente que movimenta a festa.
“Mais do que um livro sobre educação ou periferia, Mestres das Kebradas é um convite a reimaginar as formas de aprender, de viver e de se relacionar com o mundo. Ele mostra que as respostas que procuramos podem, muitas vezes, estar justamente nas margens”, diz a autora.
Serviço
Mestres das Kebradas – uma reportagem poética sobre aprender com as margens
Autora: Giselle Paulino
Editora: Jandaíra
Agenda na Flip
Sexta-feira (25/07)
13h – Lançamento do livro e espaço de fala
📍 Casa Ofício
Sábado (26/07)
10h – Sessão de autógrafos
📍 Casa Gueto
15h – Sessão de autógrafos
📍 Casa Escreva, Garota